Os eletroeletrônicos entram cada vez mais na lista de compras dos consumidores de baixa renda. De olho nesse público, já existem empresas que esclarecem, por telefone, as dúvidas sobre o funcionamento desses equipamentos.
Daiane ainda nem terminou de pagar seu primeiro computador, e ele já deu problema. Como ela não entende nada do assunto, procurou um serviço recém-criado de orientação por telefone. Do outro lado da linha, fica um atendente que trabalha em casa mesmo.
A proposta da prestadora de serviços é mesmo ser informal, bater um papo com o cliente.”Viu-se a necessidade de uma empresa que auxiliasse os consumidores a dar o pontapé inicial em sua vida digital”, explica o gerente da empresa, Glauco Padilha.
Carlos Eduardo Jardim é atendente da empresa. “Uma simples configuração de monitor ou impressão de documento, às vezes, é uma dúvida que o cliente não consegue solucionar sozinho”, completa.
Esse serviço dirigido aos iniciantes no mundo dos eletrônicos mostra uma tendência do mercado: a de aproveitar o potencial do consumidor de renda mais baixa. Segundo a Federação do Comércio de São Paulo, o mercado varejista cresceu 6,8% de janeiro a abril deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
Só a venda de eletrônicos e eletrodomésticos teve alta de 18,3%. É um dos setores em que as classes C e D fazem diferença, como explica o economista Nelson Barrizzelli: “A indústria passou a reconhecer essas classes como potencialmente consumidoras e a fazer produtos com qualidade bastante aceitável e a preços bem convenientes, ao alcance delas”.
Esse público vai às compras graças ao aumento no emprego e na renda. Além disso, os financiamentos mais longos têm prestações que cabem no bolso.
Mas o consumidor ainda espera mais. Autônomo, Devanir Souza quer trocar a geladeira. “Se melhorarem as taxas de juros, a gente leva a geladeira, o fogão e a televisão também”, brinca.